O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues identifica um motivo recorrente para o adiamento da mamografia entre mulheres com implantes mamários: o medo de que a compressão do exame rompa a prótese. A preocupação faz com que muitas deixem o rastreamento de lado por anos, justamente na faixa etária em que o risco de câncer de mama aumenta. A situação a seguir, anonimizada, mostra como o exame é feito nesses casos e por que ele continua indicado.
Uma paciente que adiou o exame por receio
Uma mulher de 47 anos colocou próteses de silicone aos 35 e, desde então, nunca fez mamografia. Ouviu de conhecidas que o aparelho poderia estourar o implante e passou a fazer apenas ultrassonografias ocasionais. Sem queixas e sem casos da doença na família, acreditava que a decisão não trazia riscos. A ultrassonografia isolada, porém, não identifica bem as microcalcificações, que podem ser o primeiro sinal de alguns tumores.
Ao procurar o ginecologista para uma consulta de rotina, recebeu a orientação de retomar o rastreamento. O primeiro passo foi esclarecer a dúvida que a mantinha longe do exame e informar o serviço de imagem, no momento do agendamento, sobre a presença das próteses.
A técnica que afasta o implante
A mamografia em mulheres com prótese segue um protocolo próprio. Além das imagens convencionais, são feitas incidências com manobra de deslocamento, em que o técnico empurra o implante em direção ao tórax e puxa o tecido mamário para a frente. Com isso, a compressão atua principalmente sobre a mama, e não sobre a prótese.
O exame passa a ter, em geral, quatro imagens de cada lado, em vez de duas. A pressão é ajustada com cuidado, e o risco de ruptura provocado pela mamografia é considerado muito baixo. De acordo com Vinicius Rodrigues, a manobra é o que permite visualizar áreas que ficariam escondidas atrás do implante em uma mamografia comum.
Ultrassonografia e ressonância como complemento
O implante, mesmo com a técnica adequada, encobre parte do tecido. Por isso, a ultrassonografia costuma ser associada à mamografia, sobretudo em mamas densas, para avaliar regiões próximas à prótese e caracterizar nódulos.
A ressonância magnética tem papel específico. É o exame mais preciso para avaliar a integridade do implante e identificar rupturas que não provocam sintomas, chamadas de silenciosas. Costuma ser recomendada alguns anos após a cirurgia e periodicamente depois disso. Também pode ser indicada para mulheres com alto risco de câncer de mama, independentemente da presença de próteses.
O que mostrou o exame da paciente?
No caso descrito, a mamografia com manobra de deslocamento, complementada por ultrassonografia, não mostrou alterações suspeitas. O laudo registrou implantes íntegros e mamas com densidade intermediária, e a orientação foi seguir o rastreamento no intervalo habitual.
A paciente saiu do exame com outra percepção. Na interpretação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o desconforto relatado é semelhante ao de mulheres sem implantes, e o tempo adicional para as incidências extras costuma ser de poucos minutos.
Cuidados que valem para quem tem prótese
Algumas medidas simples melhoram a qualidade do exame. Informar o tipo de implante e o ano da cirurgia, se possível, ajuda a equipe a planejar as imagens. Levar exames anteriores, inclusive ultrassonografias e ressonâncias, permite comparar a mama ao longo do tempo.
Implantes não aumentam o risco de câncer de mama, mas também não protegem contra ele. Mulheres com prótese devem seguir as mesmas recomendações de rastreamento das demais, com o exame adaptado à sua condição. Conforme destaca Vinicius Rodrigues, o caso mostra que a principal barreira costuma ser a falta de informação, e não alguma limitação real do exame.

