Alexandre Costa Pedrosa acompanha de perto uma transformação que vem mudando a forma como as pessoas se relacionam com a saúde suplementar no Brasil: cada vez mais consumidores chegam à decisão de contratar um plano de saúde depois de pesquisar, comparar e entender o que estão adquirindo. Não é uma mudança trivial. Durante muito tempo, a escolha de um plano esteve mais associada ao custo da mensalidade do que à qualidade da cobertura assistencial ou à extensão da rede credenciada.
Esse comportamento está mudando, e com ele muda também o perfil de quem busca informação sobre saúde suplementar antes de assinar qualquer contrato.
Por que a cobertura assistencial importa mais do que o preço?
A mensalidade ainda é um fator decisivo para a maioria das famílias brasileiras. Mas os consumidores que passam pela experiência de precisar de um atendimento e se deparam com limitações na cobertura entendem rapidamente que o plano mais barato pode se tornar o mais caro no momento em que mais importa.
Cobertura assistencial é o conjunto de procedimentos, consultas, exames, internações e tratamentos que o plano está obrigado a oferecer. A ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar, define um rol mínimo de coberturas obrigatórias, mas as diferenças entre os planos existem e fazem diferença concreta na vida do beneficiário.
Planos ambulatoriais cobrem consultas e exames sem internação. Planos hospitalares incluem internações, mas podem não cobrir consultas de rotina. Planos com obstetrícia adicionam cobertura para partos e acompanhamento pré-natal. E os planos referência são os mais completos, cobrindo todas essas modalidades em conjunto. A confusão começa quando o consumidor não entende em qual categoria está o produto que está sendo ofertado.
Rede credenciada: o detalhe que pode mudar tudo na prática
Uma cobertura ampla perde valor se os profissionais e estabelecimentos disponíveis na rede credenciada não atenderem às necessidades reais do beneficiário. Alexandre Costa Pedrosa observa que esse é um dos pontos que mais gera frustração entre os usuários de planos de saúde: contratar um plano com boa reputação e descobrir, na hora do atendimento, que o médico de preferência não está credenciado, ou que o hospital mais próximo não é da rede.
Antes de contratar, vale verificar:
- Se os hospitais de referência da região estão na rede credenciada;
- Se há especialistas disponíveis nas áreas de maior necessidade da família;
- Se clínicas e laboratórios de rotina estão incluídos;
- Se a rede é ampla o suficiente para não exigir deslocamentos longos.
Essa verificação pode ser feita diretamente com a operadora, e é um dos critérios mais relevantes para comparar planos com preços semelhantes.
Plano empresarial ou plano individual: qual a diferença real?
Para quem está avaliando opções, entender a diferença entre planos individuais e coletivos empresariais é fundamental. O empresário Alexandre Costa Pedrosa destaca que essa distinção afeta desde o custo mensal até as regras de reajuste e cancelamento. Planos individuais ou familiares têm regras de reajuste mais controladas pela ANS, mas são mais difíceis de encontrar no mercado, pois muitas operadoras reduziram a oferta dessa modalidade nos últimos anos.
Já os planos coletivos empresariais são oferecidos por empresas aos seus funcionários e têm condições negociadas entre o empregador e a operadora. Em geral, têm mensalidades mais acessíveis porque diluem o risco entre um grupo maior de beneficiários. A contrapartida é que as regras de continuidade do plano dependem do vínculo empregatício.

Autismo, TDAH e cobertura especializada: o que os planos são obrigados a oferecer
Um tema que ganhou visibilidade nos últimos anos, e que ainda gera muitas dúvidas, é a cobertura para condições como o Transtorno do Espectro Autista e o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Alexandre Costa Pedrosa ressalta como o acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento especializado para essas condições se tornou um critério relevante para famílias que estão escolhendo um plano de saúde.
A legislação brasileira avançou significativamente nessa área. A Lei 9.656 e as resoluções da ANS garantem cobertura para o diagnóstico de TEA e para os procedimentos terapêuticos incluídos no rol de coberturas obrigatórias. Entre os atendimentos assegurados estão consultas com neuropediatras e psiquiatras, avaliação neuropsicológica, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicoterapia, quando prescritas.
Para famílias que precisam desses serviços, verificar se a operadora conta com profissionais especializados na rede credenciada e se os procedimentos estão devidamente cobertos pelo plano contratado é um passo essencial antes de fechar qualquer contrato.
Acesso à informação como diferencial na hora de contratar
O consumidor de saúde suplementar de 2025 chega à contratação mais informado do que em qualquer outro momento da história do setor. O acesso a comparativos, relatos de outros beneficiários e informações regulatórias disponíveis nos canais da ANS reduziram a assimetria de informação que historicamente colocava o contratante em desvantagem.
Ainda assim, Alexandre Costa Pedrosa expõe que muitas pessoas assinam contratos sem ler as cláusulas de exclusão, sem verificar a rede credenciada na sua região ou sem entender os prazos de carência aplicáveis ao seu caso. A informação está disponível, mas precisa ser buscada com atenção.
Plataformas de comparação, o Guia ANS de Planos de Saúde e os canais de atendimento das próprias operadoras são ferramentas que qualquer consumidor pode usar antes de tomar uma decisão.
O momento certo para revisar o plano que você já tem
Contratar um plano de saúde não é uma decisão definitiva. As necessidades de saúde mudam ao longo da vida, e o plano contratado em uma fase pode não ser o mais adequado em outra. O nascimento de um filho, o diagnóstico de uma condição crônica, uma mudança de cidade ou de emprego são momentos que justificam revisar a cobertura contratada.
Por fim, o empresário Alexandre Costa Pedrosa conclui que muitos beneficiários permanecem em planos inadequados simplesmente por desconhecerem as regras de portabilidade ou por não saberem que têm direito a migrar para coberturas mais amplas sem cumprir novas carências, desde que respeitados os critérios regulatórios.
Revisar o plano periodicamente, com atenção à rede credenciada, à cobertura assistencial e ao custo-benefício real, é uma prática que pode fazer diferença concreta na qualidade de vida e no acesso ao cuidado de saúde.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

