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Novas regras do Pix podem devolver até 96 horas após golpe; veja como funciona

Diego VelázquezPor Diego Velázquezjunho 22, 2026Nenhum comentário

Mecanismo Especial de Devolução foi atualizado pelo Banco Central e agora rastreia o dinheiro por até cinco contas após a fraude

Quem já caiu em um golpe pelo Pix conhece a sensação de impotência ao ver o dinheiro desaparecer em segundos. Até pouco tempo, recuperar esse valor dependia quase exclusivamente da sorte, já que o rastreamento parava na primeira conta de destino. Bastava o golpista transferir o valor para outra conta na sequência para que o dinheiro saísse do radar dos bancos. Essa lacuna começou a ser fechada com a entrada em vigor do MED 2.0, a versão atualizada do Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central.

A mudança, obrigatória para todas as instituições financeiras desde fevereiro, levanta uma dúvida prática para qualquer usuário do sistema de pagamentos instantâneos: o que muda, de fato, na hora de tentar reaver um valor transferido por engano ou fraude? A resposta envolve novos prazos, mais rastreamento e uma forma mais simples de contestar a transação direto pelo aplicativo do banco, sem precisar enfrentar filas de atendimento.

Como funciona o novo mecanismo de devolução do Pix

A principal mudança trazida pelo MED 2.0 está na capacidade de rastreamento do dinheiro. Antes, quando uma vítima de golpe contestava uma transação, o bloqueio só alcançava a primeira conta que recebeu o valor. Os criminosos já sabiam disso e costumavam pulverizar o dinheiro rapidamente entre diversas contas para dificultar a recuperação. Agora, o sistema consegue seguir o rastro do valor por até cinco contas subsequentes, mesmo quando o dinheiro é movido várias vezes em sequência.

Segundo a Agência Brasil, o processo de contestação também ficou mais ágil. Após identificar uma transação suspeita, o cliente pode acionar o mecanismo diretamente pelo aplicativo do banco, sem necessidade de contato humano. A instituição de origem tem até 30 minutos para comunicar o banco que recebeu o valor sobre a contestação. Se houver indícios de fraude, os recursos disponíveis na conta do suposto golpista são bloqueados enquanto o caso é analisado, em um prazo que pode levar até sete dias. Quando a fraude é confirmada, a expectativa do Banco Central é de que a vítima receba o dinheiro de volta, integral ou parcialmente, em até 96 horas, considerando que ainda haja saldo disponível na conta do fraudador.

Essa atualização foi formalizada pela Resolução BCB nº 493, publicada em agosto de 2025, e se tornou obrigatória para todas as instituições financeiras a partir de 2 de fevereiro deste ano, encerrando qualquer possibilidade de adesão parcial ao novo modelo. Especialistas ouvidos pela imprensa estimam que a atualização pode reduzir em até 40% os golpes considerados bem-sucedidos, já que o aumento da rastreabilidade torna mais difícil para os criminosos manter o dinheiro fora do alcance dos bancos depois da contestação.

O que muda na prática para quem usa o Pix no dia a dia

Para o usuário comum, a principal diferença está na agilidade do processo. Antes de o MED 2.0 entrar em vigor, contestar uma fraude geralmente exigia contato direto com a central de atendimento do banco, o que podia significar horas de espera em um momento de grande estresse para a vítima. Agora, esse primeiro passo pode ser feito diretamente na área do Pix dentro do próprio aplicativo, o que reduz a demora entre a identificação do golpe e o início da investigação.

Outro ponto relevante diz respeito ao compartilhamento de informações entre instituições financeiras. Com o novo modelo, bancos e fintechs passam a trocar dados sobre o caminho do dinheiro de forma mais eficiente, o que facilita tanto o bloqueio das contas usadas pelos criminosos quanto a posterior restituição dos valores às vítimas. Essa troca de informações é especialmente relevante em crimes mais sofisticados, como aqueles praticados por quadrilhas organizadas, que costumam usar várias contas de diferentes bancos para dispersar rapidamente o dinheiro roubado.

Vale destacar, no entanto, que o MED não serve para qualquer situação. O Banco Central esclarece que o mecanismo deve ser acionado apenas em casos de fraude, suspeita de fraude ou erro operacional da instituição financeira. Quando o problema é um Pix enviado para a chave errada por descuido do próprio usuário, sem indício de crime envolvido, a ferramenta não se aplica, e a recuperação do valor depende de negociação direta com quem recebeu o dinheiro.

Os golpes que continuam ameaçando os usuários do Pix

Mesmo com o avanço tecnológico das regras de segurança, especialistas reforçam que a vulnerabilidade do sistema não está na tecnologia em si, mas na confiança das vítimas. O Pix nunca teve uma falha estrutural relevante explorada por criminosos. Os golpes mais comuns seguem se baseando em engenharia social, como o envio de comprovantes falsos, a simulação de um Pix agendado apresentado como já pago, ou ligações de falsos atendentes bancários pedindo acesso remoto ao celular da vítima.

Esse último tipo de fraude tem ganhado força recentemente. O golpista se apresenta como funcionário do banco, alega a necessidade de um teste de segurança e induz a própria vítima a realizar a transferência, sem perceber que está sendo manipulada. Outro formato em alta é o golpe do Pix agendado, em que o criminoso programa uma transferência para uma data futura e envia o comprovante de agendamento como se o pagamento já tivesse sido concluído, pressionando a vítima a entregar produtos ou liberar negociações antes da confirmação real do crédito na conta.

Diante desse cenário, as novas camadas de proteção do Banco Central agem principalmente depois que o golpe já ocorreu, ampliando as chances de recuperação do valor. A prevenção, porém, ainda depende em grande parte do comportamento do próprio usuário. Verificar com atenção se o valor realmente entrou na conta antes de liberar qualquer produto ou serviço, desconfiar de pedidos de acesso remoto ao celular e ajustar o limite noturno de transferências no aplicativo do banco são medidas simples que ajudam a reduzir a exposição a esse tipo de fraude no dia a dia.

A modernização do Pix mostra que o sistema de pagamentos mais usado pelos brasileiros está passando por um amadurecimento natural, cinco anos depois de seu lançamento. As novas regras de segurança representam um avanço real na proteção das vítimas, mas não eliminam a necessidade de atenção constante por parte de quem usa a ferramenta todos os dias. Combinar a tecnologia oferecida pelos bancos com hábitos simples de verificação ainda é o caminho mais seguro para evitar prejuízos financeiros causados por fraudes cada vez mais sofisticadas.

Fontes: Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br), Rádio Senado (www12.senado.leg.br)

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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