Novas ofensivas russas atingiram diferentes regiões ucranianas nesta semana, enquanto Kiev amplia ataques de drones contra alvos em território russo.
A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a registrar uma escalada significativa nesta semana, com novos ataques russos contra cidades e infraestrutura ucranianas e uma ofensiva cada vez mais intensa de drones lançada por Kiev contra alvos dentro da Rússia. Em 18 de agosto, um ataque russo com mísseis contra a localidade de Pechenihy, na região de Kharkiv, deixou 10 mortos e pelo menos 18 feridos, segundo autoridades ucranianas citadas pela Reuters. O ataque atingiu uma área central próxima a comércio, uma agência dos correios e residências, provocando danos a imóveis e veículos. (Reuters)
Na madrugada e manhã de 19 de agosto, novos ataques russos atingiram a região de Zaporizhzhia. Autoridades locais informaram inicialmente uma morte e seis feridos em um ataque com drones contra a cidade, enquanto outros levantamentos apontaram dois mortos e dez feridos em ataques registrados na região nas 24 horas anteriores. Em Kherson, um drone russo também atingiu um micro-ônibus, provocando quatro mortes e cinco feridos, segundo autoridades locais. (Ucrânia Hoje)
Novos ataques aumentam pressão sobre as cidades ucranianas
A ofensiva ocorre em um momento de forte pressão sobre a infraestrutura e as defesas aéreas da Ucrânia. Os ataques russos não estão restritos às áreas próximas da linha de frente e vêm atingindo centros urbanos, instalações industriais, infraestrutura energética e logística. Em julho, a missão de monitoramento de direitos humanos da ONU registrou 437 civis mortos e 2.610 feridos na Ucrânia, o maior número de vítimas civis em um único mês desde maio de 2022. (Reuters)
O ataque contra Pechenihy exemplifica a dimensão dessa estratégia. Segundo autoridades ucranianas, dois mísseis de cruzeiro atingiram uma área movimentada da localidade, causando danos a dez casas, um café, uma agência dos correios, estabelecimentos comerciais e veículos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou o ataque e prometeu uma resposta, enquanto organismos internacionais passaram a reunir informações sobre o episódio. (Reuters)
Em Zaporizhzhia, a situação também permanece delicada. Os ataques registrados em 19 de agosto atingiram áreas urbanas e provocaram danos materiais, além de vítimas civis. A frequência dessas ofensivas demonstra que a capacidade russa de lançar ataques de longo alcance continua sendo um dos principais instrumentos de pressão sobre o governo de Kiev, especialmente diante das dificuldades ucranianas para manter uma cobertura de defesa aérea suficiente em todo o território.
Ucrânia amplia ataques de drones contra a Rússia
Ao mesmo tempo em que enfrenta os ataques russos, a Ucrânia vem ampliando significativamente suas próprias operações de drones contra território russo. Nos últimos dias, Kiev realizou uma das maiores ofensivas aéreas desde o início da guerra, com centenas de drones direcionados a instalações militares, industriais e logísticas. O objetivo declarado ou atribuído às operações é aumentar o custo econômico da guerra para Moscou e atingir estruturas importantes para a manutenção da capacidade militar russa. (AP News)
Um dos principais alvos foi um grande centro logístico próximo a Moscou associado à varejista russa Wildberries. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, os ataques ucranianos provocaram incêndios e danos significativos em instalações de armazenamento. O presidente Vladimir Putin determinou posteriormente que o governo russo desenvolvesse um programa para reconstruir depósitos comerciais destruídos ou danificados pelos ataques ucranianos. (Reuters)
A ofensiva também começa a produzir efeitos econômicos dentro da Rússia. Nesta quarta-feira, postos de combustíveis de Moscou voltaram a impor limites para a venda de gasolina, depois que ataques ucranianos contra refinarias e o aumento sazonal da demanda contribuíram para uma escassez de combustíveis que já vinha sendo registrada em outras regiões do país. Algumas grandes distribuidoras passaram a limitar a quantidade de gasolina vendida por veículo. (Reuters)
Escalada militar ocorre em meio a novas tensões políticas
O aumento dos ataques acontece paralelamente a mudanças políticas dentro da própria Ucrânia. Nesta quarta-feira, o Parlamento ucraniano aprovou Yevhenii Khmara como novo ministro da Defesa, após a saída controversa de Mykhailo Fedorov. A mudança ocorre em um momento especialmente delicado, marcado por investigações de corrupção, pressão política e discussões sobre a possibilidade de eleições durante a guerra. (Reuters)
A situação política acrescenta outra camada de complexidade ao conflito. Fedorov chegou a defender a criação de um caminho legal para a realização de eleições durante o período de guerra, embora a legislação atualmente impeça sua realização sob a lei marcial. Ao mesmo tempo, autoridades anticorrupção investigam suspeitas envolvendo integrantes do círculo político do presidente Zelensky, aumentando a pressão por transparência em Kiev. (Reuters)
A intensificação dos ataques também tem consequências para outros países europeus. A guerra já provocou incidentes envolvendo drones que atravessaram fronteiras e levou integrantes da OTAN a reforçarem a vigilância aérea na região. A possibilidade de equipamentos militares e drones alcançarem territórios próximos aos países da aliança aumenta o risco de incidentes envolvendo Estados que não participam diretamente dos combates.
O cenário de 19 de agosto mostra que a guerra entrou em uma fase na qual drones, mísseis, infraestrutura e capacidade industrial passaram a ser elementos tão importantes quanto o controle territorial. A Rússia continua utilizando ataques de longo alcance para pressionar cidades e instalações estratégicas ucranianas, enquanto Kiev tenta compensar sua desvantagem militar convencional com operações cada vez mais profundas contra refinarias, depósitos e centros logísticos russos. Os efeitos já ultrapassam o campo de batalha, alcançando combustíveis, comércio, infraestrutura e estabilidade política.
Para os próximos dias, a principal preocupação é evitar que essa dinâmica produza uma escalada ainda maior. A intensificação simultânea dos ataques russos e ucranianos aumenta o risco para civis e para infraestruturas essenciais, enquanto as defesas aéreas de ambos os lados são submetidas a uma pressão crescente. O conflito permanece, portanto, sem sinais claros de descompressão imediata, mesmo diante das tentativas diplomáticas de criar condições para negociações.
Fontes: Reuters — ataque russo em Kharkiv · Reuters — situação dos civis na Ucrânia · Reuters — novos ataques e combustível na Rússia · Associated Press — ofensiva de drones ucranianos · Reuters — mudanças no governo ucraniano

