Novo medicamento de prevenção ao HIV passa a ter acesso ampliado na América Latina por meio da Opas, com potencial de reduzir drasticamente o risco de infecção quando utilizado conforme as orientações de prevenção.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou nesta terça-feira (15) um novo caminho de acesso ao lenacapavir, medicamento injetável usado na prevenção do HIV, para países da América Latina e do Caribe. A iniciativa foi firmada por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da entidade, em acordo com a farmacêutica Gilead Sciences, responsável pela produção do fármaco. Segundo a Opas, a medida complementa os mecanismos de acesso já existentes e reforça os esforços da região para ampliar as opções de prevenção contra o vírus.
Como funciona o lenacapavir e por que ele muda o cenário da prevenção
O lenacapavir é uma profilaxia pré-exposição, conhecida pela sigla PrEP, de ação prolongada e aplicada por injeção apenas duas vezes ao ano. Essa característica representa uma diferença importante em relação aos métodos diários de prevenção já disponíveis, que exigem adesão constante e costumam esbarrar em dificuldades de rotina enfrentadas por parte dos pacientes. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o medicamento como opção adicional de prevenção depois que ensaios clínicos demonstraram eficácia de quase 100% na proteção contra a infecção pelo HIV.
A urgência da iniciativa é reforçada por dados da própria Opas, que estimam cerca de 140 mil novas infecções por HIV registradas todos os anos na América Latina e no Caribe. Diante desse cenário, ampliar o leque de opções preventivas eficazes e de fácil adesão tornou se uma prioridade para os sistemas públicos de saúde da região, que historicamente enfrentam dificuldades para manter pacientes em tratamentos de uso diário.
Quais países serão beneficiados pela iniciativa
De acordo com a Opas, 14 países poderão adquirir o lenacapavir por meio dos fundos rotatórios regionais: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. A entidade destacou que essa nova via de acesso complementa acordos de licenciamento voluntário que já cobrem 24 países da América Latina e do Caribe, inseridos em uma estrutura global mais ampla que hoje contempla 120 países em todo o mundo.
Na prática, isso significa que governos da região passam a ter um canal direto e mais ágil para comprar o medicamento em maior escala, reduzindo barreiras de preço e de logística que costumam atrasar a chegada de novas tecnologias em saúde aos sistemas públicos latino americanos. A expectativa da Opas é que o novo mecanismo acelere a incorporação do lenacapavir nas políticas nacionais de combate ao HIV nos próximos meses.
Um passo além: transferência de tecnologia para produção no Brasil
Como parte do acordo anunciado, a Gilead Sciences se comprometeu a avançar no processo de transferência de tecnologia para o Brasil, com o objetivo de viabilizar a produção local do lenacapavir. A medida pode representar um ganho estratégico para o país, tanto em termos de redução de custos a médio prazo quanto de autonomia na fabricação de um medicamento considerado uma das principais inovações recentes no combate ao HIV.
A expansão do acesso ao lenacapavir ocorre em um momento em que a comunidade internacional de saúde pública busca reduzir a distância entre avanços científicos e a chegada efetiva desses tratamentos à população. Para especialistas da área, medicamentos de aplicação semestral como o lenacapavir têm potencial para mudar a lógica da prevenção ao HIV, especialmente entre grupos que enfrentam mais dificuldade de adesão a rotinas diárias de medicação.
Fontes:
Pan American Health Organization (PAHO)
Brasil em Folhas
ABCD News

