Startup espanhola especializada em fotônica de silício pretende acelerar a comercialização de sistemas ópticos desenvolvidos para conectar grandes quantidades de GPUs em data centers de inteligência artificial.
A startup espanhola iPronics anunciou nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, uma rodada Série B de US$ 125 milhões para ampliar sua atuação no mercado de infraestrutura de inteligência artificial. A operação foi coliderada pela Maverick Silicon e pela Light Street Capital e contou com a participação da Nvidia, além de outros investidores. Com a nova captação, o volume total de recursos levantados pela companhia chegou a aproximadamente US$ 177 milhões. (Amadeus Capital)
Sediada em Valência, na Espanha, a iPronics trabalha com uma área que ganhou importância à medida que empresas passaram a construir clusters cada vez maiores de GPUs para treinamento e operação de modelos de inteligência artificial. A companhia desenvolve sistemas de comutação óptica baseados em fotônica de silício, destinados a melhorar a comunicação entre os equipamentos instalados dentro dos grandes centros de processamento de dados.
O que muda com o novo investimento?
Os US$ 125 milhões serão utilizados principalmente para acelerar a comercialização das soluções da iPronics e ampliar sua capacidade de atender à crescente demanda da indústria de inteligência artificial. A companhia também pretende aumentar suas operações internacionais. Nos Estados Unidos, por exemplo, a startup abriu seu primeiro escritório em Santa Clara, na Califórnia, e planeja expandir sua equipe local. (The Business Journals)
O objetivo é transformar uma tecnologia que durante anos esteve concentrada principalmente em pesquisa e aplicações especializadas em uma solução capaz de operar em escala dentro dos grandes data centers. Isso acontece justamente quando empresas de tecnologia procuram maneiras mais eficientes de conectar milhares — e futuramente centenas de milhares — de processadores utilizados para aplicações de inteligência artificial.
Como funciona a tecnologia da iPronics?
A empresa trabalha com uma tecnologia conhecida como Optical Circuit Switching (OCS), ou comutação óptica de circuitos. Em grandes linhas, o sistema utiliza componentes fotônicos para estabelecer conexões dentro da infraestrutura computacional, reduzindo a dependência de determinadas conexões elétricas tradicionais.
A plataforma da iPronics utiliza fotônica de silício, permitindo integrar componentes responsáveis pela manipulação da luz em estruturas compactas. Segundo a companhia, sua solução foi desenvolvida especificamente para as necessidades das infraestruturas de IA, permitindo que operadores aumentem a capacidade dos clusters enquanto administram fatores como consumo de energia, custos e complexidade operacional. (Amadeus Capital)
Por que a inteligência artificial precisa de redes mais rápidas?
O avanço da inteligência artificial não depende somente da criação de processadores mais poderosos. Grandes modelos precisam ser treinados em sistemas formados por enormes conjuntos de GPUs trabalhando simultaneamente. Para que isso aconteça, os processadores precisam trocar grandes volumes de informações constantemente, fazendo com que a rede responsável pela comunicação entre os equipamentos se torne parte fundamental do desempenho do sistema.
Conforme esses clusters aumentam, tecnologias tradicionais começam a enfrentar limitações relacionadas à largura de banda, consumo energético, espaço físico e capacidade de expansão. A iPronics argumenta que esse processo está acelerando a migração de determinadas conexões de cobre para soluções ópticas dentro dos data centers. (Amadeus Capital)
A Reuters informou que a tecnologia desenvolvida pela empresa busca tornar esse novo tipo de chip de rede compacto o suficiente para contribuir para sistemas capazes de conectar centenas de milhares de chips computacionais. Esse tipo de escala é considerado cada vez mais importante para a próxima geração de infraestruturas dedicadas à IA. (Reuters)
Nvidia participa da rodada de financiamento
A participação da Nvidia chama atenção porque a companhia ocupa uma posição central na infraestrutura mundial de inteligência artificial. Além dela, a rodada teve participação de investidores novos e existentes, incluindo Triatomic Capital, Bosch Ventures, Catalight Capital, European Innovation Council Fund, Fine Structure Ventures, Amadeus Capital Partners, Build Collective e Criteria Venture Tech. (Amadeus Capital)
Para a iPronics, a entrada de novos recursos representa uma oportunidade para acelerar a implantação comercial de seus sistemas justamente quando grandes operadores de data centers procuram alternativas para aumentar a utilização de suas GPUs sem criar novos gargalos na comunicação entre os processadores.
Infraestrutura se torna nova fronteira da corrida pela IA
A movimentação também mostra como a corrida pela inteligência artificial está avançando para além dos próprios modelos e processadores. Redes de alta velocidade, sistemas ópticos, refrigeração, fornecimento energético e novas arquiteturas de servidores passaram a receber investimentos à medida que empresas constroem centros de dados maiores e mais densos.
Nesse cenário, melhorar somente a capacidade individual das GPUs pode não ser suficiente. É necessário garantir que milhares desses componentes consigam trabalhar de maneira coordenada, movimentando informações rapidamente e sem criar gargalos capazes de reduzir o desempenho do conjunto.
A aposta da iPronics está exatamente nessa camada da infraestrutura. Com os US$ 125 milhões captados na Série B, a companhia pretende transformar sua tecnologia fotônica em uma alternativa comercial para grandes instalações de IA, entrando em um mercado que deverá acompanhar a expansão mundial da capacidade computacional dedicada aos novos modelos de inteligência artificial. (Amadeus Capital)
Fontes:
Reportagem da Reuters | Anúncio da rodada de US$ 125 milhões

