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Início » Selic cai para 14,25%, mas corte é visto como insuficiente: o que muda no seu bolso
Brasil

Selic cai para 14,25%, mas corte é visto como insuficiente: o que muda no seu bolso

Diego VelázquezPor Diego Velázquezjunho 19, 2026Nenhum comentário

Copom reduziu juros pela terceira vez seguida, porém CNI e CUT dizem que medida não resolve estagnação dos investimentos nem alivia o crédito das famílias

Quem espera alívio rápido no cartão de crédito ou no financiamento da casa própria ainda vai precisar de paciência. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (17), reduzir a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, um corte de 0,25 ponto percentual que já era esperado pelo mercado financeiro, mas que reacendeu uma dúvida recorrente entre consumidores e empresários: por que os juros continuam tão altos mesmo com a inflação dando sinais de desaceleração? A resposta passa por um cenário econômico ainda marcado por incertezas, expectativas de inflação fora da meta e pressões no mercado de trabalho, segundo o próprio comunicado divulgado pela autarquia. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) já se manifestaram classificando a redução como insuficiente diante da realidade enfrentada por empresas e famílias endividadas.

Por que o Copom reduziu os juros, mas de forma tão cautelosa

A decisão de cortar a Selic em apenas um quarto de ponto percentual reflete a postura conservadora que o Banco Central vem adotando nas últimas reuniões. Segundo o comunicado oficial do comitê, os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração ao longo de 2026. Ainda assim, o cenário segue marcado por expectativas de inflação desancoradas e projeções elevadas, o que limita a velocidade dos cortes futuros. O Copom também sinalizou que o tamanho total do ajuste de juros dependerá dos próximos dados econômicos, com o objetivo de garantir que a inflação volte à meta dentro do horizonte relevante considerado pela autoridade monetária.

Esse cuidado tem explicação histórica. A Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos, entre junho de 2025 e março de 2026, justamente para conter uma inflação pressionada por fatores como o aumento nos preços de combustíveis e alimentos, agravado por tensões geopolíticas internacionais. Desde então, o Banco Central vem promovendo cortes graduais, sempre na casa de 0,25 ponto percentual, evitando movimentos bruscos que possam reacender a alta de preços. Para o mercado financeiro, essa cautela é compreensível, mas para quem depende de crédito mais barato para tocar a produção ou comprar um imóvel, o ritmo lento da flexibilização monetária ainda pesa no orçamento.

A reação das entidades: indústria e trabalhadores cobram mais agilidade

A insatisfação com o ritmo dos cortes não partiu apenas de um lado do espectro econômico. A CNI afirmou que a redução não contribui para reverter a chamada “asfixia financeira” enfrentada por empresas e famílias, argumentando que, enquanto os juros reais seguirem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito continuará inviabilizando planos de produção e expansão da indústria nacional. Já a CUT, representando o lado dos trabalhadores, classificou o corte como incapaz de reverter o quadro de estagnação dos investimentos, reforçando que a medida não atende às necessidades urgentes da população brasileira neste momento.

Por outro lado, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) adotou um tom um pouco mais otimista, considerando positiva a redução, mas defendendo que o movimento precisa ter continuidade nas próximas reuniões. Segundo a economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, a continuidade do processo de flexibilização monetária é uma sinalização positiva para a economia, mas a Selic ainda permanece em um patamar restritivo, o que encarece o crédito, adia decisões de investimento e dificulta um crescimento econômico mais consistente. Esse contraste de avaliações mostra como a Selic, mesmo em queda, segue sendo um ponto de tensão entre diferentes setores da economia brasileira, todos pressionando o Banco Central por um ritmo mais acelerado de cortes.

O que esperar para os próximos meses e como isso afeta o consumidor

Para quem pretende financiar um imóvel, trocar de carro ou organizar as finanças pessoais, entender a trajetória da Selic é essencial. A taxa básica de juros serve como referência para praticamente todas as outras taxas de crédito do país, da poupança aos empréstimos pessoais e ao cheque especial. Quanto mais alta a Selic, mais caro fica o crédito e mais a poupança tende a render, enquanto cortes graduais como o anunciado nesta semana tendem a baratear o financiamento aos poucos, sem gerar mudanças bruscas e imediatas no bolso do consumidor.

O próprio Copom já indicou que decisões futuras dependerão diretamente dos próximos indicadores de inflação e atividade econômica, o que significa que o ritmo de queda da Selic deve continuar sendo gradual nos próximos meses. Para especialistas do mercado financeiro, esse comportamento cauteloso tende a se manter enquanto persistirem as incertezas globais e a pressão sobre o câmbio e os preços de commodities, fatores que ainda preocupam o Banco Central. Até lá, o conselho de analistas econômicos é claro: quem está endividado deve aproveitar eventuais quedas nas taxas para renegociar dívidas, enquanto quem pretende investir em renda fixa ainda encontra no patamar atual da Selic uma rentabilidade real bastante atrativa.

Fontes: Agência Brasil, Informe Blumenau, Hoje em Dia

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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